sábado, 28 de fevereiro de 2026

Ciclos da Vida

 CICLOS DA VIDA

1 – O Nascimento

Vem para o mundo sobre o pranto mudo,
frágil semente de uma dor antiga.
O nascimento já revela tudo:
que a própria vida é eterna fadiga.

2 – O Crescimento

Segue o caminho sob o sol latente,
vê no crescimento o vigor que engana,
sente no corpo, de um modo carente,
como é efêmera a glória humana.

3 – A Maturidade

Chega o outono com o seu cansaço,
na maturidade o rigor se perde,
sente o vazio em cada longo passo,
onde a esperança já não se faz verde.

4 – O Aprendizado

Dura lição que o sofrimento ensina,
neste aprendizado de sombra e medo.
Ver que a estrela que no céu declina,
guarda da sorte o seu pior segredo.

5 – Destino

Traço marcado por um giz de gelo,
duro destino que o fado conduz,
tudo o que fiz foi um vã pesadelo,
sombra que foge na ausência de luz.

6 – O Tempo

Corre o riacho de um modo constante,
leva este tempo que não volta mais,
deixa o cansaço no rosto ausente,
dores colhidas nos meus temporais.

7 – O Idoso

Olha o espelho com o olhar deserto,
pobre idoso que o tempo castiga.
sente que o fim já se encontra tão perto,
nesta jornada que se torna antiga.

8 – Esquecimento

Cai o silêncio no rastro da vida,
gélido e mudo esquecimento.
Cinza que resta da chama perdida,
voz que se apaga no sopro do vento.

9 – A Morte

Cinzas, poeira que o vento carrega,
sono profundo onde a luz se consome.
Quando a morte enfim o mundo rega,
resta o silêncio que apaga o seu nome.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena 4 – Lenda do Pinheiro e a Palmeira

LENDA DO PINHEIRO E A PALMEIRA

Nas terras do sul, o destino,
traçou um encontro de luz,
um amor puro e divino,
que ao horizonte conduz.

Havia um jovem guerreiro,
valente e de forte presença,
andava no mato certeiro,
com alma de fé e de crença.

A moça de graça infinita,
era a índia mais faceira,
a joia da mata, a mais dita,
bela na vida inteira.

Amavam-se contra o vento,
em tribos de guerra e rancor,
guardavam o seu sentimento,
num mundo sem paz e sem cor.

O ódio de velhos caciques,
barrava o sagrado querer,
erguendo cruéis tabiques,
proibindo o amor de crescer.

Fugiram na noite calada,
buscando o refúgio do chão,
a alma por Tupã abraçada,
num só e fiel coração.

Mas antes que o dia surgisse,
o destino os veio buscar,
para que o tempo os unisse,
tiveram que se transformar.

Ele virou um gigante,
o Pinheiro de copa pro céu,
com espinhos no corpo, constante,
combatendo o vento e o véu.

A moça virou a Palmeira fagueira,
crescendo ao lado de seu grande amor.
Vivem abraçados na mata inteira,
vencendo o tempo, o medo e a dor.

Grinalda Indígena 3 – Gralha Azul

GRALHA AZUL

Nas matas frias de verde pinheiro,
vivia a ave de penas comuns.
Sem o azulado do céu por inteiro,
buscava o brilho em tempos de jejuns.

Diz a lenda que o bicho dormia,
no galho seco que o vento balançou,
mas um machado, com fúria e agonia,
o pinheiral no chão derrubou.

A ave subiu ao reino do alto,
pedindo a Tupã um novo poder,
ganhou o manto do azul do planalto,
para as florestas de novo erguer.

Voltou à terra com foco e coragem,
colhendo o pinhão com o bico fiel.
Enterra a semente em cada pastagem,
sob a proteção do sagrado dossel.

É a Gralha Azul, que a mata semeia,
plantando a Araucária no solo do sul,
enquanto o destino no bico se enleia,
pinta o destino em tom de azul.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

10 - A Velha Chata

A VELHA CHATA
 
Essa é uma história ridícula,
com certeza é puro papo,
que vivia em uma edícula
uma velha... que era um trapo.
 
Sempre estava resmungando,
sobre todos, sobre tudo,
e sua vida, estagnando
em seu modo carrancudo.

Passam horas, passam dias,
se esvaindo as alegrias 
passa o tempo sem cessar.
 
Só esta velha não passa,
chata... parece pirraça,
a todos a azucrinar.

9 - Gratidão

GRATIDÃO

Sou grato, todos os dias,
por eu ser um trovador,
transformando fantasias,
em tantos versos de amor.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena 2 – Heróis da Terra

Heróis da Terra

Em cada fibra que compõe o Brasil,
pulsa a batida do vosso tambor.
Longe do mito do povo servil,
ergue-se a força de um povo senhor.

Se a mata canta, é por vossa voz,
zelo que guarda o que o lucro consome.
Pois sem a terra, o que resta de nós?
Apenas o vazio e a sombra da fome.

Vossa presença é o norte fiel,
cura que nasce da raiz profunda.
Escrevem o mundo sem usar papel,
em uma sabedoria que o tempo inunda.

Sem o indígena, a pátria se esvai,
torna-se pó sob o asfalto sem vida.
Onde o espírito do ancião não cai,
a esperança se mantém erguida.

Corpo e alma de um solo sagrado,
pilar que sustenta o que ainda é real.
O Brasil verdadeiro está ao vosso lado,
sendo o princípio e o fim de seu ritual.

Grinalda Indígena 1 – Louvor aos povos indígenas

Louvor aos povos indígenas

Piso este chão que o tempo consagrou,
nas matas vivas onde o sol se deita.
Pelo seu sangue a terra despertou,
nesta herança que a alma respeita.

Eu, que carrego a cor do invasor,
curvo meu peito à vossa resistência.
Pois contra o ódio e o braço opressor,
vós sois a vida e a pura consciência.

Guardais os rios, o sopro e o trovão,
antigos cantos que o vento propaga.
Mesmo no fogo da vil negação,
vossa verdade jamais se apaga.

Corpo de argila e alma de luz,
filhos da mata, de garra sem fim.
Vossa crença que a todos conduz,
é o que salva o que resta de mim.

Aos pés do tronco, o espírito é rei,
povo que luta, que planta e que sente.
Em cada passo que aqui caminharei,
honro o passado que faz o presente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

8 - Destino


DESTINO

Para o Professor Garcia, Carolina Ramos e A. A. de Assis

Vou caminhando pela vida sem rumo,
entregue aos ventos do destino,
carrego apenas uma vela,
acesa na fonte do divino.
Qualquer que seja a minha lida,
seguirei mesmo que contra a maré.
Meu coração é a parafina,
e a chama acesa é a minha fé.

7 - Vida Lascada

Vida Lascada

Sigo pela estrada...
um tapete de cascalhos:
– Êta vida lascada!

domingo, 22 de fevereiro de 2026

6 - Dúvida

 DÚVIDA

Minha vida são muitas reticências
entre vários parênteses.
Às vezes provoca exclamação,
mas de vírgula em vírgula
no final de todo parágrafo
sempre fica uma interrogação...

5 - Tédio

 TÉDIO

Verão terminando.
A chuva está implacável…
e eu em casa mofando!

4 - Realidade

 REALIDADE

Não somos mais que esboços,
desenhados por outras mãos.
Olhos que veem sem ver.
Fantasmas do passado
assombrando o amanhã.

17 - Beleza Interior

 Beleza Interior A beleza interior é luz que não se vê,   reflete a bondade que há em teu ser,   Teus gestos sutis como o amanhecer,   trans...